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O Divórcio – Perguntas e Respostas

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No dia de 19 de maio, a EBD teve um caráter diferenciado, sendo uma aula única ministrada pelo pastor Hilquias Benício. O tema da aula foi sobre divórcio. No decorrer da EBD, os irmãos fizeram perguntas e expuseram casos relacionados ao tema para poderem entender exatamente o que a Palavra de Deus fala sobre a questão do divórcio. Foi uma aula bastante esclarecedora e proveitosa, mas algumas perguntas ainda ficaram pendentes. Por essa razão, seguem abaixo as perguntas e as respostas do pr. Hilquias para esclarecimento dos irmãos.

Uma pessoa – já sendo crente – que divorciou-se de sua mulher, casou-se com outra e mantêm com esta um matrimônio estável está em pecado, segundo o texto de Mateus 19, correto? Nesse caso, é permitido que essa pessoa participe do ministério da igreja, estando ela em adultério? Qual o caminho para que essa pessoa saia do pecado?

A pergunta não deixa claro o motivo do divórcio. Segundo o que aprendemos com Jesus em seu debate com os fariseus, o casamento é criação divina e o divórcio criação humana. Jesus deixa claro que no princípio, quando o matrimônio foi instituído por Deus não foi assim.  O matrimônio é indissolúvel, contudo, por conta da dureza do coração do homem, Moisés permitiu que se emitisse carta de divórcio.

Portanto, o ensino de Cristo é: não separe o homem o que Deus uniu; mas Jesus diz que tolera o divórcio por conta da dureza do nosso coração, não dizendo com isso que temos liberdade para o novo casamento; neste debate com os fariseus Jesus permite o novo casamento apenas se o divórcio fora causado por prostituição (Em 2 Coríntios 7, a deserção também legitima a possibilidade de um novo casamento).

Portanto, se a pessoa divorciou-se de sua mulher por motivo de infidelidade conjugal, ele pode contrair novas núpcias segundo Mateus 19.9 e, sendo assim, não está em pecado e nada o impedirá de servir no ministério.

Apesar disso não podemos esquecer que o melhor caminho é o perdão, porque apesar de Deus tolerar neste caso, sua vontade é que o que Ele uniu o homem não separe.

Na situação do divorciado que exerce cargo na igreja (presbítero, diácono e até pastor) o que a Bíblia diz?

Deve-se entender o caso para não julgar precipitadamente. Segundo o texto bíblico, o desejo de Deus é que o casamento seja indissolúvel, mas em caso de adultério ou abandono do lar o Senhor permite novo casamento.

Diante de um crescente caso de ministros recasados por motivos não legitimados pela palavra, escrevi, há alguns anos, um artigo intitulado “O pastor seja marido de várias mulheres” (http://www.vida13.com/vida-biblia-teologia/eclesiastica/o-pastor-seja-marido-de-varias-mulheres/)

Se um cônjuge adultera e o outro cônjuge não consegue perdoá-lo, como fica?

Não é fácil perdoar uma traição. Talvez seja o perdão mais difícil de ser exercido. Contudo, o cônjuge que não consegue perdoar causa a si mesmo um grande mal, pois o não perdoar afetará sua vida em todas as dimensões, não apenas no relacionamento com aquele que o traiu, mas nas relações com todas as demais pessoas e, claro, com Deus.

Fomos perdoados por Deus para também, entre outras coisas, perdoar. Fica a leitura de Mt 18.21-35.

No caso de deserção como saber o tempo em que se caracteriza o abandono, para que o abandonado possa optar por uma segunda relação conjugal? E o que causou a deserção poderá ainda casar?

O contexto da deserção aplica-se ao cônjuge descrente que abandona o cônjuge crente. Assim, o que causou a deserção não é o crente, mas o descrente, e este não pauta a sua vida sob os princípios e orientação bíblica, portanto a segunda pergunta acaba não tendo aplicação.

Já a primeira é uma excelente pergunta. Primeiro devemos entender que a volta e a reconciliação deve ser o desejo, tendo em vista que o cônjuge descrente é santificado pelo cônjuge crente (1 Co 7.14).

Segundo, o tempo não pode ser traçado objetivamente, mas entendo que seria justamente o tempo em que a força da separação que liga se for. Costumo chamar  de força da separação que liga aquela saudade que leva de volta, aquela ausência que acorda para o valor da presença. Quando isso passar, a possibilidade de volta vai ficando cada vez menor.

Não pode ser um tempo apressado. O novo casamento embora seja apenas uma opção e não um imperativo, visa o equilíbrio familiar com a presença de todos os papéis marido-mulher, pai e mãe, e um lapso de tempo também é importante tanto para preparar o cônjuge abandonado, quanto para os filhos que precisam fechar o ciclo do abandono antes de adentrarem em um novo ciclo.

Pastor, minha vida está um inferno. Estou separada há 10 anos. Já desviada, tentei conhecer outras pessoas; me reconciliei, mas não me conformo em viver sozinha. A culpa da separação foi minha (acho), hoje não tenho o perdão dele e minha família não me apoia em outro relacionamento. O acerto é a volta?

Gostaria de poder falar com você pessoalmente junto com a minha esposa, Daniely. Procure-nos e se identifique entendo que esta conversa será de grande valor para você.

Um casamento que acontece no meio de brincadeiras mundanas é do gosto de Deus? Se pedir a Deus que ele mande uma adjuntora fiel ele vai escutar sua oração?

Se o casamento ocorre no meio de “brincadeiras mundanas” não deixa de ser um casamento. Se você faz uma aliança, sendo do gosto de Deus ou não, agora terá de cumprir a aliança. É claro que estes ambientes não serão os melhores lugares de você encontrar alguém que compartilhe a mesma visão de mundo e de fé que a sua. E se você pedir em oração, Deus graciosamente atende, mas dificilmente você achará nas “brincadeiras mundanas” a resposta de sua oração.

O caso de violência se enquadra no caso de abandono?

O caso de violência, além de pecado, é um crime que dá cadeia e coloca em risco a saúde física e emocional do cônjuge e dos filhos. A violência não se enquadra como abandono, o agressor não abandona o lar, ele oprime o lar. As medidas devem ter caráter de proteção ao(s) agredido(s) e de transformação na vida e comportamento do agressor. O agressor bem como o(s) agredido(s) devem ter um acompanhamento espiritual e terapêutico.

Nos casos em que há risco de vida, a separação (não o divórcio) deve ser o caminho. Lembramos que no caso de violência nunca se deve esperar o pior para se pedir ajuda, os hábitos de violência, mesmo que de menores graus, devem fazer você procurar auxílio.

Pastor Hilquias Benício

*Todas as perguntas aqui expostas foram elaboradas por irmãos da AD Cidade durante a aula da Escola Bíblica Dominical. Caso tenham outras dúvidas ou perguntas favor enviar email para comunicacao@adcidade.org

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